domingo, 26 de julho de 2009

Fora de série


Faz tempo que não faço uma sugestão de livro. Sugiro que comece então a ler hoje mesmo Outliers (Fora de série) de Malcolm Gladwell. Foi lançado no Brasil em 2008 e terminei de ler agora. Não tenho idéia de quanto sucesso fez aí, mas aqui é dos mais vendidos. Por alguma razão misteriosa o livro foi catalogado e vendido no Brasil como se fosse um livro sobre administração, ou mesmo auto-ajuda. Não, não, não. O próprio autor fala do livro como sendo anti-auto-ajuda.
Este é o terceiro livro de Galdwell e sua proposta é analisar o sucesso, os fora-de-série. Sua tese é que o mito do self-made man (aquele que se faz sozinho) é isso mesmo, um mito. Ele derruba a idéia de que talento nato e trabalho duro são os únicos fatores que levam alguém ao sucesso. Tomei conhecimento do livro através de uma conversa entre Gladwell e um colunista esportivo que gosto bastante, Bill Simmons.
Vale visitar o site de Gladwell , onde há vários artigos disponíveis online.
Gladwell mostra com vários exemplos interessantíssimos como nossa cultura, nossa família, o lugar e época em que nascemos e vários outros fatores contribuem para o sucesso.
Um exemplo. Gladwell mostra que um percentual assombroso dos jogadores profissionais de hockey no Canadá nasceram entre Janeiro e Março. O que é que isso tem a ver? A data de corte para os torneios infantis é 1 de Janeiro. O que acontece então é que os meninos que fazem 9 anos em Janeiro jogam na mesma liga que os que fazem 9 anos em Dezembro. Na prática é quase um ano de diferenca, o que é brutal em termos de força física, coordenação motora, maturidade... Enfim. Obviamente eles tendem a se destacar. Por se destacarem, são escolhidos pelos olheiros e treinadores para jogarem nas melhores equipes, treinarem com os melhores técnicos nas melhores instalações e praticarem muito mais horas na semana. Ao final daqule ano, a vantagem que era só na idade passa a ser técnica também. Como uma profecia que se auto-reliza, os que foram escolhidos por serem aparentemente melhores se tornam de fato melhores. É claro que se não houver talento e trabalho duro eles não irão progredir. Mas talvez houvesse jogadores da mesma qualidade nascidos em outubro que nunca puderam sequer provar que seriam bons. Como se diz por aí, "escolha muito bem onde e quando você vai nascer."
Se você quer saber o que o cultivo de arroz tem a ver com o fato dos orientais serem bons de matemática, porque uma temporada na Alemanha contribuiu para o sucesso dos Beatles, porque 25 % dos maiores bilionários da história da humanidad nasceram na mesma década e porque linhas aéreas coreanas tinham os piores índices de acidente do mundo, pegue este livro.
Não concordo com tudo no livro (precisa-se concordar com tudo para recomendar um livro?), como por exemplo com o que ele entende por sucesso em certos casos. Mas é leitura agradável, instigante e difícil de deixar de lado. Procure ainda os livros anteriores de Gladwell, que (como diria Sílvio Santos) ainda não li mas são muito bons!

3 comentários:

Emilio Garofalo disse...

huahua!!! só de ser anti auto-ajuda já merece um crédito. É evidente - pelo seu relato que, como bom autor americano, ele deve tentar dividir tudo em alguns poucos tipos, categorias e tentar enquadrar o mundo inteiro no seu pacote... Mas, como vc disse, não temos que gostar de tudo. Para isso temos capacidade de discernimento, de opção, etc.
Valeu a dica

Emilio - Entre dois mundos disse...

Faltou dizer, ele é canadense!! O que ajuda um pouco nesses pontos que você colocou, mas ainda assim é um visão norte-americana...

Emilio - Entre dois mundos disse...

Ah, acho que você gostaria bastante de ler o capítulo 7, que trata de como questões culturais contribuem para acidentes aéreos. Ele dá exemplo de equipes coreanas que pelo forte senso cultural de hierarquia não desafiavam o capitão, além de um caso de um voo da Avianca que caiu chegando no JFK. Muito interessante. Quando passar pela cultura, pegue pra dar uma olhada!!